Saturday, November 14, 2009

Vidas Passadas



Hoje li o meu signo. Apeteceu-me.

Confesso que nunca fui muito de me acreditar. Lá aparecem umas coisas que até batem certo mas nunca fui das que não sai de casa sem ler o signo. Conheço quem o faça, acreditem.

Pois que hoje, quando li o meu signo, levei uma tremenda palmada psicológica. Uma espécie de abanão. Li, com todas as letras que lá estavam escritas, que os nativos do meu signo põem toda a sensibilidade naquilo que fazem. É de todo verdade. Um momento bom ou menos bom da minha vida reflete-se, inevitavelmente, em todas as vertentes para que me direcciono.

Posso dizer que, nos dias de hoje, estou a pagar por tudo o que fiz a mim mesma no passado. E é triste querer avançar com esta coisa, a que chamamos vida, e permanecermos exactamente no mesmo lugar.

Há cerca de cinco anos resolvi matar-me um bocadinho todos os dias. Arrasto ainda comigo sequelas desse outro tempo. Deixei de me alimentar, por vontade própria, e passei a comer, única e exclusivamente, para não desmaiar.
Recordo-me bem de todas as artimanhas a que recorria. E consegui passar despercebida durante uns três anos. Raramente fazia refeições com os meus pais e, quando se proporcionava, escondia pedaços de comida debaixo de folhas de alface, no prato, ou passava-as, com cumplicidade, ao gato que estava debaixo da mesa ansiosamente à espera. Forçava o vómito onde fosse preciso e o meu estômago passou a rejeitar qualquer coisa que ousasse incomodá-lo. Tinha também, religiosamente, a minha melhor amiga escondida debaixo da cama- a balança. E não havia dia que me levantasse da cama e não me pesasse. Fazia-o cerca de três, ou mais, vezes por dia.

O tempo passava e com ele eu enfraquecia. Cheguei a pesar menos vinte e muitos quilos que aquilo que, para a minha altura, é considerado ideal. O tempo passava e não havia quem me conseguisse ajudar. Irremediavelmente caí noutros mundos, tão ou mais perigosos que o primeiro.

Com tudo aquilo que já a mim própria fiz, dou por sorte ainda cá estar para contar (nem que seja para relembrar a mim mesma) as atrocidades que cometi. Sinto muito medo cada vez que o meu corpo me dá um sinal para abrandar, para tomar (ainda mais) conta de mim. Recordo, angustiada, o episódio de ter sido levada para o Hospital com 42º graus de febre (há já mais de uma semana) e um rim que teimava em não fucionar.

Agradeço todos os dias a Deus o facto de ter dado uma segunda hipótese a mim mesma e peço-lhe muita força para ultrapassar todos os obstáculos de cabeça erguida.

Tive a sorte de conhecer o meu bálsamo para a vida- o meu Homem. Que, inconscientemente trouxe com ele uma brisa boa que me curou as feridas, as do corpo e as do coração.
Obrigada, meu amor. Sabes que não tenho como te agradecer. Dei-me a ti para que fizesses do meu corpo o teu templo.

0 comments:

 
Template by suckmylolly.com