Sabes estrelinha, estou em atraso contigo. Já fez mais de uma semana que chegaste a este mundo e ainda não te escrevi a tal carta que andava a projectar na minha cabeça. Minha querida, sê muito bem vinda.
Sabes que andava há muito, desde o dia que recebi a boa nova, a ansiar a tua chegada. E estava louca para te conhecer pessoalmente. Eu acho que até já nos conhecíamos. Já sabia de cor as horas que costumavas praticar dentro da tua mamã os xutos para jogares à bola cá fora. Lembro-me de todos os pormenores do dia que a tua mamã me disse que queria que eu fosse tua madrinha. E, meu amor, a madrinha está aqui para sorrir com os teus sorrisos e chorar com as tuas mágoas. Não te posso dar o mundo mas prometo amar-te muito. Bem vinda a este mundo, princesa. Que sejas muito feliz.
Todos nós, num determinado momento da vida, já fizemos coisas de que nos arrependemos. Já pensámos nos ses e nos talvez. Não sei se me vou arrepender de algo que decidi hoje e é esse sentimento, um misto de peso na consciência com uma inquietação estranha, que me está entranhado na carne e não me deixa adormecer. Eu sei, sou uma pessoa demasiado preocupada com os outros. Prejudico-me a mim mesma quase em troca de um sorriso de alguém. Mas, e depois? A memória tende a esquecer as coisas boas e a fazer permanecer as ruins. Esquecemo-nos depressa de um acto que nos fez feliz mas teimamos em lembrar uma qualquer tristeza do passado. E já me estou a perder. Espero que a decisão que tomei hoje tenha sido, no fundo, a mais acertada. E espero conseguir adormecer sem este sentimento de que me está a ser consumida a alma.
Depois da azáfama dos festejos natalícios estamos, finalmente, em nossa casa. Acampámos cinco dias em casa dos sogrinhos. De salientar que, quando chegámos, ninguém achou grande piada ao nosso mais novo mas passadas umas horas já todos gostavam muito dele. Bom, o nosso pequeno está doentinho. Não, é obvio que não abusou das rabanadas e dos sonhos. A onda dele é mais ração... O que é facto é que o pequenino vomitou e está com diarreia. Mãe preocupada que só eu, falei com a veterinária umas duzentas vezes ao telefone e esta manhã lá foi ele à clínica. Pois que o bichano está bem, mesmo doente manda pinotes e faz uns sprints malucos. Ao que tudo indica, a má disposição deve-se ao facto do Yoji ter dormido uns bons bocados encostado à porta do recuperador de calor. Sacana. Bom, relativamente ao balanço (material, vá) deste natal posso avançar que estou bastante satisfeita. Brevemente fotografo e coloco aqui.
Directamente de lado nenhum, segue um santo Natal regado só com coisinhas boas. Muita saudinha, felicidade e bons empregos é o que a Maria Verniz deseja. E agora, que estive cerca de quarenta e cinco minutos a tentar ligar-me à Internet, despeço-me com beijinhos e abraços. Temo que a ligação vá caaaaaaa... bip, bip, bip.
Epá... Mas alguém tem ideias de coisas giras para se fazer quando se está por casa, entediada, e já nada mete piada? Já matei moscas à fisgada, contei o número de pêlos que o meu gato tem dentro das orelhas, parti três pratos e estou na mesma. Aceitam-se sugestões, sério!
Vim terminar a minha listinha de presentes. Agora arma-te em parvo e mete panos de cozinha e pares de meias debaixo da árvore que para o ano conversamos.
Ora eu aqui ando num grande dilema... Passo a explicar. Gosto sempre de saber a quantas ando e gosto de programar tudinho. O passado ano não foi exepção e sabia, antecipadamente, onde, com quem e em que circunstâncias iria passar esse grande momento das nossas vidinhas chamado Reveillon.Pois que estava combinado jantar com um casal amigo e eu estrear-me-ia na comida chinesa. Pareceu-nos bem. Jantar e tal, e depois íamos ao encontro de umas centenas de bebedolas nossos amigos. Entrámos no restaurante e a coisa pareceu-me estranha. Não existiam moçoilas asiáticas a servir os clientes. Eram pois, umas raparigas ali mais para os lados do Cristo Redentor todas bonitas e jeitosas que só elas. Enquanto degustava os aperitivos (que se me recordo eram uns camarões passados em farinha e fritos) decidi-me por provar uma iguaria do outro mundo (diziam os outros). Pois que os pratos vieram até nossa mesa, minúsculos que só eles, e comeram-se numa garfadita. Sairam da nossa contida carteira uns míseros oitenta euros que a malta contava gastar nuns Martinis na festa propriamente dita. Ora já quase a abandonar aquele lugar fantástico que nos deu guarida durante uma horita, esta minha cabeça iluminada que só ela e inocente por ter, até então, um estômago virgem no que toca a enfardar comida chinesa, lembrou-se de perguntar à menina-não-asiática-do-cristo-redentor se existia, naquele mui nobre estabelecimento o tão repudiado Licor de Lagarto.A menina abanou a cabeçita afirmativamente, como se esperasse aquele momento há uns tempos, e vá de trazer a cozinheira que confeccionou as fantásticas iguarias que os nossos estômagos vorazes consumiram. Surpreendentemente a cozinheira era, efectivamente, asiática. Querida que só ela espetou-me uma garrafa de vidro incolor não com um, nem dois, nem três mas sim quatro lagartos à minha frente. Eu transpirava, pálida e balbuciava palavras que ninguém chegou a perceber. A mulher saca do copito pequeno e enche-o daquela substância radioactiva de côr amarelo fluorescente. Todos os outros riam e davam-me pequenos incentivos. Pego naquilo, abro a goela e engulo.A única coisa que me recorda ter dito foi exactamente isto: "Tenho um sabor a bicho na boca".Valeu-me a sanita, de onde não arredei pé e festejei de joelhos a chegada de 2009, e o namorado, querido que só ele, que me fez cházinhos e festinhas na cabeça.
E cá voltamos, uns tempitos depois, com a rubrica Coisas que me indignam até à Medula. Para começar: - Homens que batem em mulheres (e se orgulham disso). A eles arrancava-lhes todos os pêlos do corpo com uma pinça e deixava-lhes cair, acidentalmente, dez litros de cera a ferver no rabiosque.
- Condutores de fim-de-semana. Odeio, odeio, odeio. E quem é que já não se cruzou com espécimes destes? Daqueles que andam a quinze à hora, com a esposa ao lado, a sogra e a tia atrás e meia dúzia de putos a torcerem o pipo uns aos outros? E também há dos que levam a lancheira da camping gaz, o cão e dois gatos e fazem um pinquenique volante. Perdão. Ao volante.
- Pessoas que deitam lixo pelas janelas dos carros. Irritam-me todos os que deitam lixo para o chão, de forma geral, mas a estes tenho-lhe um ódiozito especial. Conheço um sítio onde não há, literalmente, um pedaço de chão que se veja. Ele é sacos, caixas de chiclas, maços de cigarros, cotonetes, lenços de papel, comida... A estes enviava-os de um avião, em queda livre, directamente para um daqueles buracões dos aterros sanitários.
E por hoje não se me lembra assim de repente de outras coisas que me indignem. Mas eu volto, prometo, até porque sou uma rapariga muito indignada.
Conheces-me bem, sabes perfeitamente que me sinto confortavel quando escrevo. Existem vezes que sou um desastre com as palavras. Ficam-me presas na alma e na garganta e custam-me a sair. Ou, por outra, saem sem antecipadademente terem a verdadeira noção do valor que têm. E eu sei que isso magoa. Não me é difícil enumerar um sem número de razões pelas quais te amo. Tu sabe-lo. Venho agradecer-te por me teres dado o teu coração e por teres aceite o meu sem pedir nada em troca. Confesso-te que me lembro do momento exacto que soube que tu existias para mim. Foi num dia, como tantos outros, que te vislumbrei sem tu me notares e senti que te queria para sempre. Tudo em ti era perfeito, demasiado bom para ser real. Não estava acostumada a que me tratassem assim, aliás, eu não deixava, simplesmente, que se aproximassem de mim. Elaborava um conjunto de contras na minha cabeça e retirava-me. Estava, inconscientemente, à tua espera para, juntos, descobrirmos sensações e sentimentos tão bons que não é possível descrevê-los. Sei que sabes que daria a minha vida em troca da tua. Morreria no teu lugar sem hesitar. Ser-me-ia insuportavel viver sem te ter do meu lado a celebrar vitórias comigo e a deixar-me chorar no teu colo. O dia de hoje é um marco importante nas nossas vidas. Celebremos da forma que melhor conhecemos. Dar-te-ei o meu corpo e deixarei que os teus dedos, que tão bem o conhecem, percorram cada centímetro da minha pele. Quero adormecer colada ao teu beijo, como tantas outras vezes, mas com um significado (ainda mais) especial. Quero-te para sempre.
E a mim parece-me outra qualquer época. Não me cheira a Natal, (ainda) não respiro Natal. Ontem, em confidência com a minha melhor amiga, disse-lhe que sinto saudades do tempo em que esboçava um sorriso fresco no rosto. Sempre. Lembro-me que era uma daquelas pessoas cheia de energia positiva e isso foi-me dito diversas vezes. Quando sofremos ou passamos por determinadas situações na vida, existem sim, repercussões. Não me venham com tretas. Levamos uma grande pancada na cabeça e dizem-nos que passa, que o tempo cura. Ameniza, no meu ponto de vista. Não há dor que passe nem feridas que sarem na totalidade. Existe sempre uma restia de qualquer coisa que teima em fazer-se notar. Está só ali à espera que algo ou alguém concretizem a proeza de lhe tocar. E o que concluo eu? Agarrar-me-ei às pessoas, coisas e recordações que me fazem feliz. Que me façam sentir que sim, posso ter umas boas nódoas negras nos joelhos mas que tenho muitas coisas boas para dar e receber. Eu sei que tenho, às vezes só preciso que me relembrem.
Confesso que me farto um pouco das coisas que não me dão estímulo. Ou até podem dar. Não gosto de permanecer muito tempo no mesmo sítio. Gosto de cometer loucuras, de viajar com uma mochila às costas, de me sentir viva. Existem dias que me pergunto porque mantenho este blogue online. Para quê, com que fim. Existem outros tantos dias que me apetece perder-me em frases. Apetece-me escrever com o coração e raras foram as vezes que o fiz. Na minha mesa de apoio permanece um livro lindo, imaculado e com todas as folhas virgens. Ao lado jaz uma caneta que espera, ansiosamente, que os meus dedos compridos a toquem e deslizem, ambos, pelas folhas brancas do livro criteriosamente escolhido para ouvir e calar os meus segredos. Nunca o fiz. Talvez por temer focar os meus pensamentos em determinados assuntos. Sou cobarde, sei-o.
O que eu gosto de me matar a esfregar e limpar para depois me esticar num qualquer sítio, normalmente puffs ou cama, e sentir o cheirinho a limpeza pela casa.
Mudando de assunto, hoje foi dia de visita ao veterinário com o menino Yoji. Pois que estamos de saúde, crescemos muito e pesamos mais quatrocentos gramas. Foi administrado, também, o reforço da vacina e agora, se não existirem problemas que obriguem, só lá voltamos em Abril para a castração.
Hoje é dia dois. Estou mais que a tempo de elaborar a minha lista de presentes. Resolvi fazê-lo hoje para que não haja desculpa para o caso de, eventualmente, te esqueceres de algo. Faltam vinte e três dias para o grande dia, repito, VINTE-E-TRÊS-DIAS!
Estás tão dentro de mim que me apetece sufocar-te, bater-te e gritar-te que não pode ser assim. Eu não posso gostar tanto de alguém. E se me magoas, como é que eu vou viver? Como vou juntar eu os pedaços do meu coração? De onde veio esta vontade de te matar com beijos? Já nem sei lidar comigo mesma. Não me conheço mais.
que hoje levantei o rabo da cama para ir à sala fumar um cigarro e para fazer um xixizinho quando já estava mesmo, mesmo, mesmo a apertar. Mas quando é que faz Sol, afinal?