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Ora eu aqui ando num grande dilema... Passo a explicar. Gosto sempre de saber a quantas ando e gosto de programar tudinho. O passado ano não foi exepção e sabia, antecipadamente, onde, com quem e em que circunstâncias iria passar esse grande momento das nossas vidinhas chamado Reveillon. Pois que estava combinado jantar com um casal amigo e eu estrear-me-ia na comida chinesa. Pareceu-nos bem. Jantar e tal, e depois íamos ao encontro de umas centenas de bebedolas nossos amigos. Entrámos no restaurante e a coisa pareceu-me estranha. Não existiam moçoilas asiáticas a servir os clientes. Eram pois, umas raparigas ali mais para os lados do Cristo Redentor todas bonitas e jeitosas que só elas. Enquanto degustava os aperitivos (que se me recordo eram uns camarões passados em farinha e fritos) decidi-me por provar uma iguaria do outro mundo (diziam os outros). Pois que os pratos vieram até nossa mesa, minúsculos que só eles, e comeram-se numa garfadita. Sairam da nossa contida carteira uns míseros oitenta euros que a malta contava gastar nuns Martinis na festa propriamente dita. Ora já quase a abandonar aquele lugar fantástico que nos deu guarida durante uma horita, esta minha cabeça iluminada que só ela e inocente por ter, até então, um estômago virgem no que toca a enfardar comida chinesa, lembrou-se de perguntar à menina-não-asiática-do-cristo-redentor se existia, naquele mui nobre estabelecimento o tão repudiado Licor de Lagarto. A menina abanou a cabeçita afirmativamente, como se esperasse aquele momento há uns tempos, e vá de trazer a cozinheira que confeccionou as fantásticas iguarias que os nossos estômagos vorazes consumiram. Surpreendentemente a cozinheira era, efectivamente, asiática.
Querida que só ela espetou-me uma garrafa de vidro incolor não com um, nem dois, nem três mas sim quatro lagartos à minha frente. Eu transpirava, pálida e balbuciava palavras que ninguém chegou a perceber. A mulher saca do copito pequeno e enche-o daquela substância radioactiva de côr amarelo fluorescente. Todos os outros riam e davam-me pequenos incentivos. Pego naquilo, abro a goela e engulo. A única coisa que me recorda ter dito foi exactamente isto: "Tenho um sabor a bicho na boca". Valeu-me a sanita, de onde não arredei pé e festejei de joelhos a chegada de 2009, e o namorado, querido que só ele, que me fez cházinhos e festinhas na cabeça.

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