Thursday, October 22, 2009

Carta ao meu Bacardi

Meu querido Bacardi,

A cada minuto, que nesta manhã passa, anseio acordar deste pesadelo. Já perguntei ao papá se estou a sonhar e até lhe pedi para, por favor, me acordar.
És muito especial para mim, sabias? Vieste para a tua nova casa e conseguiste em um ou dois dias juntar os bocadinhos do meu coração que estavam espalhados nem sei bem onde. Sempre soube que estávamos destinados um ao outro. Mas mini Bacardi, por que razão o destino quis que partisses tão pequenino ainda? Gosto tanto de ti que imaginei, muitas vezes, a família feliz que seríamos daqui a uns tempos. Imaginava-te a brincar no chão da sala com os meus filhos, a fazermos férias todos juntos e a teres, quem sabe, uma outra companhia. Um amiguinho gato para a vida.
Esta noite o papá e a mamã estavam a ver um filme e tu só dormias ao nosso colo. Colocavamos-te na tua caminha mas tu lá acordavas, todo resmungão, e subias para o nosso colo. Recordas-te? Voltavas a adormecer e nova investida. Quando eu e o pai fomos dormir andámos em pezinhos de lã pela casa para não te acordar. Nem acendemos a luz. A tua caminha ficou aos pés da nossa cama e quando nos deitámos rimo-nos porque conseguimos não fazer barulho suficiente para te acordar. Adormeci com um sorriso nos lábios.
Eram seis da manhã e eu ouvi-te chamar. Secalhar estavas com fominha, ou sede, ou querias ir ao areão, ou querias miminho. Acendi a luz e vi que estavas deitadinho a dormir na caminha, chamei o pai e sorrimos muito. Até que voltaste a miar. E aí o meu coração caiu e partiu-se em pedaços, como antes de te conhecer, e eu sabia que te ia perder. Não pensei que estivesses a ter um pesadelo ou outra coisa para a qual exista explicação. Eu sabia que te ia perder.
Agora quero pedir-te que me desculpes por não ter conseguido estar ao pé de ti. O pai pediu muito e eu, entre lágrimas, expliquei-lhe que não conseguia. Desculpa, mini Bacardi. Desculpa-me não te ter tocado na patinha enquanto partias e desculpa-me, sobretudo, não me ter despedido de ti.
Agora, gatinho lindo, como é que eu vou juntar os cacos do meu coração outra vez? Vais fazer-nos muita falta, Ba!

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