Sempre ouvi dizer que o grande problema é fazer a primeira. Ou é porque se fica apaixonado pela arte (sim, porque para mim o tatuador é um artista), ou é porque se descobre que, secalhar, a dor não é díficil de suportar, ou porque, simplesmente, se quer marcar um pedaço de memória ou sentimento na pele. Para sempre.
Confesso que não sou apaixonada por tatuagens desde sempre. Apaixonei-me quando me gravaram na pele, para todo o sempre, a primeira. Por enquanto, e digo por enquanto porque quero de todo ser tatuada a curto prazo, só tenho uma. Achei por bem tatuar algo pequeno e com significado para mim. E fi-lo. Cada vez que os meus olhos lhe caem em cima recordo-me de pequenos fragmentos de mim, da pessoa que eu era, e de tudo aquilo que eu não fazia ideia viver no futuro. A minha tatuagem, como eu, andou de barco, de avião, dançou para a lua com as estrelas a aplaudir, chorou e sorriu comigo. Já sofreu e já foi amada. Viu partir os que me foram próximos e deu boas vindas aqueles que, como eu, não me conheciam.
É parte de mim que vai morrer comigo. E isso transcende-me.

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